Pólipo Uterino: Qual a relação com a fertilidade
18 de setembro de 2017

Pólipo Uterino: Qual a relação com a fertilidade

Qualquer alteração no útero já causa um frio na barriga da mulher, não é mesmo? A preocupação com essa parte tão importante do corpo feminino é natural, principalmente quando existe o sonho de ser mãe.

Cistos, pólipos e miomas são conceitos diferentes, mas capazes de confundir em meio à notícia de determinado diagnóstico recebido pelo ginecologista, principalmente quando a paciente possui idade avançada e deseja ter filhos.

Os pólipos, por exemplo, afetam de 7% a 25% das mulheres, sendo mais comuns na faixa etária de 30 a 50 anos.

Já ouviu falar sobre esse diagnóstico e possui dúvidas? Entenda de vez o que é pólipo uterino e qual a sua relação com a fertilidade.

O que é pólipo uterino

Os pólipos uterinos são lesões em relevo localizadas na superfície interna da cavidade uterina. Essas formações de projeções anormais normalmente possuem consistência amolecida e corpulenta, com a aparência similar de uma verruga. Podem apresentar-se em duas formas:

Pólipos endocervicais:

  • Surgem no canal do colo do útero;
  • Causam sangramentos vaginais fora do período menstrual, principalmente após relações sexuais;
  • A possibilidade de que sejam de origem maligna (cancerosas) gira em torno 0,5%;
  • Tratamento ideal: histeroscopia.

Pólipos endometriais:

  • Aparecem na mucosa do endométrio (interior do útero);
  • Comuns em mulheres acima dos 40 anos;
  • Causam excesso de sangramento no período menstrual, além de cólicas menstruais fora do período de menstruação;
  • Índice de 3% de chance de desenvolver câncer no endométrio;
  • Tratamento ideal: histeroscopia.

Afinal, quais são as principais causas dessa disfunção?

Principais causas do pólipo uterino: posso evitá-las?

Ainda não existe uma definição exata sobre a causa do surgimento dos pólipos uterinos. Mas o principal motivo detectado entre os casos da doença consiste na alteração hormonal, que gera menstruação irregular, sangramento fora do período menstrual ou menstruação prolongada.

Alguns especialistas também acreditam que os pólipos podem se originar a partir de uma lesão no endométrio, comumente causada por variações nas taxas hormonais associadas a alterações genéticas. Mulheres com doenças como hipertireoidismo ou hipotireoidismo são mais propensas a desenvolvê-los, seguindo essa lógica.

Lembrando que os pólipos uterinos são mais comuns com o avançar da idade. Dessa maneira, eles não podem ser evitados, mas, sim, diagnosticados o mais breve possível para serem devidamente tratados, evitando o impacto a fatores como a fertilidade feminina.

Saiba como detectá-los no organismo.

Como saber se tenho pólipo uterino?

Ao consultar um médico e relatar os sintomas, muito provavelmente ele pedirá exames para confirmar o diagnóstico. Mas se não apareceram sinais da presença de pólipos, o exame de rotina poderá ajudar. Isso porque nessa ocasião pode ser solicitada uma ultrassonografia.

Caso a paciente se queixe dos sintomas, mas a ultrassonografia não apresente alterações, torna-se necessária uma histeroscopia diagnóstica, um procedimento que permite a visualização interna do útero (um endoscópio dotado de um sistema óptico iluminador é introduzido na vagina e chega até a cavidade endometrial).

Dessa maneira, o médico poderá perceber se (ou em quais circunstâncias) os pólipos chegaram ao ponto de afetar a fertilidade feminina. Entenda melhor a relação entre a doença e as chances de ter um bebê.

Pólipo uterino X Fertilidade 

Entenda como esse fator pode impactar as chances de concepção:

  • Ao alterar a camada de revestimento interna do útero, a probabilidade do embrião se implantar torna-se menor;
  • O pólipo endocervical (localizado na entrada do colo do útero) pode impedir a subida dos espermatozoides para o interior da cavidade uterina, impedindo o encontro dos gametas feminino e masculino;
  • Pode causar distúrbios hormonais que afetam o ciclo menstrual.

Normalmente, não costumam apresentar sinais ou sintomas, e são descobertos quando a mulher não consegue engravidar após seis meses e recorre ao médico para apurar as causas. Os exames de sangue e a ultrassonografia transvaginal são indispensáveis para o diagnóstico.

Quais são os tratamentos disponíveis?

Como você sabe, cada grau da doença requer determinado tipo de tratamento. O médico levará em conta, para tratamento, a idade da mulher, a presença ou não de sintomas e se ela já ingere medicamentos hormonais. As principais soluções disponíveis e utilizadas são:

  • Conduta expectante: o nome pode parecer difícil, mas o método é simples. Trata-se de um acompanhamento clínico de perto para verificar a saúde da mulher e o desenvolvimento dos pólipos. O médico pode indicar somente a observação do pólipo durante 6 meses, especialmente quando não há sintomas;
  • Uso de medicamentos, que podem ser hormonais ou simplesmente anti-inflamatórios;
  • Polipectomia histeroscópica (remoção do pólipo uterino por histeroscopia). A cirurgia para retirada do pólipo uterino pode ser feita no consultório médico com anestesia local, e é indicada para todas as mulheres saudáveis. Nas mulheres após a menopausa os pólipos uterinos geralmente não apresentam sintomas, embora possam causar perda de sangue vaginal em algumas mulheres. Nestas a polipectomia é bastante eficaz e o pólipo raramente volta;
  • Histerectomia (retirada cirúrgica do útero), indicada para mulheres que não desejam ter mais filhos, apresentam sintomas intensos e que possuem uma idade avançada.

Nas mulheres assintomáticas os sinais de melhora só podem ser observados durante o exame em que o médico verifica que o pólipo uterino diminuiu de tamanho. Já nas mulheres que apresentam sintomas como sangramento anormal, os sinais de melhora podem incluir a normalização da menstruação.

Tenho pólipo uterino: posso engravidar?

Existem casos em que a mulher consegue engravidar mesmo com pólipo uterino, não apresentando problemas durante a gravidez. Porém, o ideal é seguir as orientações médicas pois pode ser necessário retirar os pólipos antes da concepção para diminuir os riscos durante a gestação.

Outra dúvida comum é se mulheres que já passaram por cirurgia para retirada dessas projeções podem engravidar. O fato é que o tempo para a cicatrização da parte interna do útero depende do tipo de procedimento ao qual ele foi submetido.

Sendo assim, é imprescindível respeitar os intervalos indicados pelo médico após a realização de procedimentos cirúrgicos quando se quer engravidar, para que a concepção e o desenvolvimento do feto se realizem no melhor ambiente possível.

Deseja informar-se ainda mais sobre as principais causas da infertilidade feminina e os melhores tratamentos para engravidar? Leia este artigo “Tentando engravidar: o que você pode estar fazendo errado” e fique por dentro.

Dr. Bruno Scheffer

Médico Pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. Master em Reprodução Humana Pela Faculdade de Medicina da Universidade de Valência (Espanha). Especialista em Medicina Reprodutiva pelo Instituto Valenciano de Infertilidade (Espanha). Editor chefe do Tratado de Reprodução Humana Assistida. Membro Editorial do Jornal Brasileiro de Reprodução Assistida. Membro do European Society of Human Reproduction and Embryology
Dr. Bruno Scheffer

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