parto humanizado
9 de outubro de 2018

Parto humanizado: por que essa é uma escolha de cada vez mais mulheres?

O parto é um marco, o início de uma vida na Terra e de um novo ciclo. Parece mágico como o corpo da mulher consegue gerar e colocar no mundo uma nova vida. Consegue dimensionar os sentimentos, as emoções, os receios e as dúvidas que envolvem a mulher quando o assunto é o parto? São duas vidas (ou mais) a serem resguardadas naquele momento.

Por isso, mamãe, nada mais justo você se sentir insegura, em dúvida ou mesmo totalmente decidida do que deseja no seu momento e do seu filho. O importante é você estar bem e saudável, independentemente dos conselhos das pessoas à sua volta. Quer uma dica? Foque em vocês dois. Mas se você ainda está na dúvida entre parto humanizado, normal e a cesária, viemos lhe ajudar. Vamos esclarecer cada um deles para você.

 

O que é parto humanizado?

O parto humanizado é o mais próximo possível do processo natural, e a palavra já diz: permite que a natureza faça seu trabalho com o mínimo de intervenção médica possível — apenas aquelas autorizadas pela mãe, desde que sua saúde e do bebê sejam preservadas. Incentiva-se o parto vaginal e, consequentemente, a redução do uso de intervenções tecnológicas ou de medicamentos.

Dessa maneira, o parto humanizado pode ocorrer na cama, na banheira, em casa ou no hospital, e o médico tem o papel de observador naquele momento, apenas interferindo se necessário. Algumas mulheres preferem ficar de cócoras, outras, andar, outras, deitar; cada mãe escolhe a posição melhor no parto, assim como quem estará ao seu lado. Ainda são realizadas, caso a mãe assim escolha, massagens e banho quente.

Por isso, o parto humanizado é considerado mais respeitoso e acolhedor. São apontados benefícios como redução do índice de depressão pós-parto, aumento do vínculo entre mamãe e bebê e, de acordo com orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), quando o cordão umbilical é cortado apenas após parar de pulsar, o bebê recebe quantidade extra de ferro.

 

Parto normal e parto natural: qual é a diferença?

O parto normal já adota técnicas não utilizadas no parto normal, como esvaziamento da bexiga por meio de sonda, lavagem intestinal, uso de medicamentos e episiotomia, um procedimento no qual se faz um corte na vagina da mulher para ajudar o bebê a sair — já existem pesquisas comprovando a falta de necessidade desse procedimento.

O parto normal é realizado nas maternidades, e a mulher mantém-se deitada, sem a liberdade proporcionada pelo parto natural. Sendo assim, esse tipo de parto é realizado sob interferências, muitas das quais desnecessárias ou mesmo prejudiciais, conforme avaliação da OMS.

E a cesárea?

Segundo dados da OMS, 55,6% dos partos no Brasil foram cesáreas em 2016, a segunda maior taxa do mundo, superada apenas pela da República Dominicana, com 56%. Esse é um procedimento mais agressivo, uma vez que se trata de uma cirurgia invasiva — é realizado um corte de aproximadamente 10 a 12 cm de largura e mais cortes de 6 camadas de tecidos até chegar ao bebê. Por isso, o risco de infecção e a demora na recuperação são maiores.

No entanto, a cesárea é realmente recomendada para algumas situações, como:

  • Prolapso de cordão com dilatação não completa;
  • Descolamento prematuro da placenta com feto vivo fora do período expulsivo;
  • Placenta prévia parcial ou total;
  • Apresentação córmica (situação transversa) durante o trabalho de parto;
  • Ruptura de vasa praevia;
  • Pré-eclâmpsia e eclâmpsia;
  • Herpes genital com lesão ativa no momento em que se inicia o trabalho de parto.

Por isso é a futura mamãe e seu médico que decidirão em conjunto se esta é a melhor opção para o parto ser saudável, seguro e amoroso. Portanto, sempre foque em você e na saúde do seu bebê.
Nem sempre o parto ideal para sua amiga, conhecida, irmã, é também para você. Sinta seu coração e evite opiniões radicais. Está em busca de mais dicas de maternidade? Vem conferir esse post sobre ser mãe, que está demais!

Dr. Bruno Scheffer

Dr. Bruno Scheffer

Médico Pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. Master em Reprodução Humana Pela Faculdade de Medicina da Universidade de Valência (Espanha). Especialista em Medicina Reprodutiva pelo Instituto Valenciano de Infertilidade (Espanha). Editor chefe do Tratado de Reprodução Humana Assistida. Membro Editorial do Jornal Brasileiro de Reprodução Assistida. Membro do European Society of Human Reproduction and Embryology
Dr. Bruno Scheffer

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