Miomatose Uterina
26 de junho de 2017

Miomatose Uterina: Pode interferir na fertilidade?

Receber um diagnóstico de miomatose uterina pode ser assustador e angustiante, principalmente para as tentantes, mas esse problema acomete várias mulheres e possui tratamentos altamente avançados.

É natural presumir pelo pior nesse caso, mas é preciso ter calma, pois não há motivos para tamanha preocupação.  Por não apresentarem sintomas, na maioria das vezes, os miomas são descobertos ocasionalmente, como quando o médico solicita um check-up, por exemplo.

Entenda o que é a miomatose uterina e qual sua relação com a fertilidade.

O que é miomatose uterina

O mioma é um tipo de tumor muscular benigno do útero, portanto, não é um tipo de câncer. Atualmente atinge cerca de 50% das mulheres com idade entre 30 e 50 anos.

Também chamado de fibroma, fibromioma, leiomiofibroma e fibroide, surge a partir de uma célula muscular do útero que cresce desproporcionalmente e se apresenta de vários tamanhos diferentes.

Não se conhece exatamente a causa da Miomatose Uterina. Sabe-se, porém, que o fator genético e a ação do estrógeno (hormônio produzido no ovário da mulher em idade reprodutiva) são fatores determinantes. Por isso, quando a mulher entra na menopausa, eles diminuem ou desaparecem, pois não há mais estrógeno.

Existem alguns tipos de miomas, sendo eles:

  • Mioma subseroso – localizado na área mais externa da parede uterina. Não costuma apresentar sintomas, exceto quando atinge grandes volumes;
  • Mioma intramural – nasce e permanece na parede uterina. Em geral, os sintomas aparecem quando o tumor aumenta de tamanho a ponto de causar sangramentos ou compressão dos órgãos adjacentes. Pode distorcer a cavidade uterina causando a infertilidade;
  • Mioma submucoso – localiza-se mais próximo da cavidade uterina, sendo o tumor ginecológico mais frequentemente diagnosticado na mulher. Suas lesões desenvolvem-se para dentro da cavidade uterina. Sangramento uterino anormal e dor pélvica são os sintomas mais comuns. Infertilidade e abortamento de repetição podem também ser causados por este tipo de lesão.

Quais são os tratamentos? A miomatose uterina afeta a fertilidade?

O tratamento mais indicado, assim como o impacto na fertilidade feminina irão depender do grau de gravidade do mioma. A notícia boa é que existem várias opções de tratamento. Conheça as principais:

  • Uso de medicamentos: algumas substâncias conseguem impedir o crescimento ou reduzir o tamanho do mioma;
  • Terapia com hormônios: para alívio do fluxo menstrual e redução do tamanho do mioma;
  • Retirada do útero (histerectomia): recomendada em casos mais graves, quando o tratamento não surte efeito, a mulher não deseja engravidar e o tumor causar muita dor, sangramento ou até chega a comprimir outros órgãos;
  • Cirurgia de mioma (retirada cirúrgica do mioma): quando a mulher deseja preservar a fertilidade e o mioma não chegou ao tamanho extremo a ponto de precisar retirar o útero;
  • Radiologia intervencionista: poucos conhecem essa técnica, que atua por meio de procedimentos minimamente invasivos, pois visualiza-se a área a ser tratada por meio de métodos de imagem como tomografia, ultrassonografia e imagens de raios x. São realizadas pequenas punções guiadas por esses métodos de imagem. Dispositivos como cateteres, balões, molas e outros menos invasivos são utilizados.
  • Embolização uterina (procedimento minimamente invasivo; como o mioma é “alimentado” por sangue, o corte desse suprimento por meio da embolização leva à morte do mioma). A técnica é realizada sob anestesia local. As chances de engravidar após esse procedimento variam de 30% a 35%.

O mioma, em muitos casos, não impede a gravidez. Os tipos de miomas que costumam prejudicar a fertilidade costumam apresentar as seguintes características:

  • Miomas localizados dentro da cavidade uterina (submucosos);
  • Miomas com 4 cm ou maiores localizados dentro da parede do útero (intramurais).

Nesses casos, os miomas podem alterar a posição do colo uterino, prejudicando a passagem dos espermatozoides; causar bloqueio das trompas de falópio ou alterar a implantação embrionária por impactar no músculo uterino, impedindo, assim, a gravidez.

A anamnese aliada ao exame de toque normalmente são suficientes para denotar a presença de um ou mais miomas. Alguns casos, porém, exigem também o exame de imagem como o ultrassom para complementar o diagnóstico e definir o tratamento. Nos casos que exigem maior definição de detalhes, pode-se utilizar a ressonância magnética.

O indicado é que sejam realizados exames periódicos com seu médico de confiança para analisar as condições dos seus órgãos e da sua saúde. A maioria das mulheres que apresentam o diagnóstico não desencadeia problemas de fertilidade; também por isso o casal sempre deve passar por avaliações clínicas em casos de infertilidade.

Afinal, como saber se tenho mioma?

Poucas mulheres apresentam sintomas, e muitas descobrem o mioma por identificarem dificuldade para engravidar ou mesmo são diagnosticadas em exames ginecológicos de rotina. Mas alguns sintomas merecem atenção, como:

  • Fluxo menstrual aumentado (podendo, até mesmo, desencadear um quadro de anemia);
  • Ciclo menstrual prolongado;
  • Dor na região pélvica;
  • Dor e desconforto durante as relações sexuais;
  • Problemas urinários (vontade frequente de urinar, infecção urinária, infecção nos rins e cistite);
  • Aumento do volume abdominal.  

O médico poderá solicitar exames laboratoriais como hemograma completo, ultrassonografia transvaginal e ressonância magnética para confirmação (ou não) da presença do mioma.

Lembrando que, durante a gravidez, normalmente não é possível tratar o mioma. Na maioria das vezes, o médico acompanha a evolução de perto e indica determinados medicamentos para controlar quaisquer sintomas. O mais indicado é, se possível, que o tratamento seja realizado somente após a gestação.

Você ainda tem dúvidas sobre a miomatose uterina? Deixe suas perguntas nos comentários ou entre em contato conosco. Adoraremos ajudar você!

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Dr. Bruno Scheffer

Médico Pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. Master em Reprodução Humana Pela Faculdade de Medicina da Universidade de Valência (Espanha). Especialista em Medicina Reprodutiva pelo Instituto Valenciano de Infertilidade (Espanha). Editor chefe do Tratado de Reprodução Humana Assistida. Membro Editorial do Jornal Brasileiro de Reprodução Assistida. Membro do European Society of Human Reproduction and Embryology
Dr. Bruno Scheffer

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