Miomatose Uterina
18 de outubro de 2018

Mioma intramural: o que é e como pode afetar a fertilidade?

Os miomas uterinos são alterações ginecológicas prevalentes em mulheres na idade fértil. Eles podem apresentar-se de diferentes formas, sendo que é fundamental realizar um seguimento ginecológico de rotina para identificá-los precocemente e iniciar o tratamento mais adequado. Um dos tipos mais comuns de miomas uterinos é o mioma intramural (localizado no interior da camada muscular uterina).

Os miomas uterinos são comuns e afetam aproximadamente 50% das mulheres entre os 30 aos 50 anos de idade. O mioma, também chamado de fibroide uterino, ocorre quando uma célula do tecido muscular liso do útero (miométrio) se divide de forma anormal, gerando um nódulo ao redor das fibras musculares. A diferença entre o mioma intramural ocorre devido à sua topografia. Ele fica localizado no interior da parede uterina e pode se expandir, fazendo com que o útero fique de um tamanho maior do que o habitual.

 

Quais são os sintomas do mioma intramural?

Normalmente, os miomas intramurais são assintomáticos e não costumam oferecer risco à paciente. Quando crescem demasiadamente ou se proliferam, no entanto, podem estar correlacionados com alguns sintomas, tais como:

  • dor na região pélvica;
  • aumento do volume abdominal;
  • compressão de órgãos próximos, provocando alterações urinárias ou constipação intestinal.

O sangramento é um sintoma mais comum em casos de miomas submucosos, entretanto, o mioma intramural também pode promover um aumento no fluxo e na duração do ciclo menstrual.

 

Quais são as causas do mioma intramural?

Até os dias atuais, a Medicina não conseguiu desvendar qual é a etiologia exata para o desenvolvimento dos miomas uterinos, entretanto, algumas condições estão mais frequentemente relacionadas com o surgimento desse problema, como por exemplo:

  • Hereditariedade: alterações genéticas estão correlacionadas com maiores chances de desenvolvimento dos miomas intramurais, pois os genes já contêm alterações que favorecem a proliferação das células da musculatura uterina;
  • Menarca precoce: mulheres que têm a primeira menstruação muito novas também são mais propensas ao desenvolvimento dessa alteração;
  • Fatores hormonais: foi identificada uma forte relação entre o aumento na produção dos hormônios femininos e o desenvolvimento dos miomas. Por isso, essa alteração tem uma incidência maior em mulheres na idade fértil;
  • Alimentação: o consumo excessivo de carne vermelha e uma alimentação pobre em vegetais, legumes e verduras tem correlação com o desenvolvimento dos miomas uterinos.

Além das causas descritas previamente, também existem alguns fatores de risco que podem favorecer o surgimento dos miomas intramurais, tais como:

  • Mulheres que nunca tiveram filhos;
  • Mulheres negras: há uma maior incidência dos miomas entre mulheres negras quando comparadas com as de outros grupos étnicos, sendo que, nesses casos, os miomas podem surgir mais precocemente, em maior quantidade e com maiores dimensões.

Como é realizado o tratamento dos miomas intramurais?

A melhor conduta terapêutica deverá ser indicada pelo médico ginecologista que acompanha o caso. Cada tratamento deve ser individualizado, levando em consideração a avaliação clínica em associação com a análise dos exames de imagem, tais como a ultrassonografia transvaginal ou a ressonância nuclear magnética da pelve. É comum que em casos mais amenos (miomas de pequenas dimensões e que provocam poucos sintomas), o tratamento medicamentoso seja indicado. Nessas situações são prescritos anti-inflamatórios ou terapias hormonais (por exemplo: DIU hormonal de progesterona) que reduzem o tamanho dos miomas. 

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Dr. Bruno Scheffer

Dr. Bruno Scheffer

Médico Pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. Master em Reprodução Humana Pela Faculdade de Medicina da Universidade de Valência (Espanha). Especialista em Medicina Reprodutiva pelo Instituto Valenciano de Infertilidade (Espanha). Editor chefe do Tratado de Reprodução Humana Assistida. Membro Editorial do Jornal Brasileiro de Reprodução Assistida. Membro do European Society of Human Reproduction and Embryology
Dr. Bruno Scheffer

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