endometriose o que é
27 de julho de 2019

Endometriose: o que é e como ela afeta o corpo feminino

A endometriose acomete o organismo da mulher em diferentes graus. Ela é uma doença que provoca desde sintomas aparentemente “normais” como cólicas menstruais fortes até problemas mais sérios como a infertilidade.

Por ser uma doença, que pode não apresentar sintomas  e  possuir consequências graves é importante conhecê-la e compreendê-la mais a fundo. Por isso, neste artigo, vamos esclarecer o que é e como ela afeta o corpo feminino. Acompanhe.

Endométrio e endometriose: entenda a relação

A palavra endometriose que designa a doença vem do termo “endométrio”. O endométrio é um tecido que reveste a parede do útero. Ele é formado durante o ciclo menstrual e é eliminado quando o sangramento menstrual de fato se inicia.  

A função do endométrio é acolher e nutrir o embrião nas primeiras semanas de gestação. É para isso que o organismo feminino forma todos os meses o endométrio. Mas, se não há fecundação, o corpo expele o endométrio e assim se inicia a menstruação.

O que é endometriose?

A endometriose caracteriza-se quando o endométrio, que é o tecido que reveste a parte interna do útero, encontra-se em outro local do corpo que não seja a parede do útero.  Nessa condição, o endométrio pode ser encontrado:

  • Nas tubas uterinas;
  • Ligamentos útero-sacros;
  • Ligamentos largos;
  • Ovários;
  • Intestino delgado;
  • Vagina;
  • Bexiga;
  • Ureter.

Segundo a Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva, cerca de 15% da população feminina entre 15 e 45 anos no Brasil são acometidas.

O que é endometriose?
Estrutura do órgão reprodutor feminino com endometriose

Quais são os sintomas?

Os sintomas da endometriose são facilmente confundidos com os desconfortos menstruais, como:

  • Cólica menstrual: a dor pode ser moderada ou mesmo de forte intensidade. Muitas vezes as dores são tão fortes que a mulher não consegue realizar suas atividades cotidianas.
  • Dor pélvica crônica: mesmo fora do período menstrual aparecem fortes dores que só passam com o uso de medicamentos.
  • Dor lombar: de forte intensidade e aparece durante a menstruação.
  • Dor durante as relações sexuais: as dores são mais forte principalmente quando há penetração profunda. A mulher pode ter até mesmo sangramentos.
  • Alterações intestinais cíclicas: durante a menstruação a mulher sofre com episódios alternados de diarreia e de constipação, às vezes, sente muita dor para evacuar.
  • Alterações urinárias cíclicas: se o endométrio estiver alojado no sistema urinário (bexiga, uretra, ureteres, rins), a mulher pode sofrer com dores ao urinar, pode urinar mais vezes que o normal e até mesmo sangramento ao urinar.
  • Sangramento uterino anormal: a mulher pode ter sangramentos pequenos fora do período menstrual.
  • Infertilidade: a mulher não consegue engravidar de maneira natural.
  • Fadiga: a mulher se sente muito cansada, principalmente durante a menstruação.

Ao aparecerem os sintomas o médico ginecologista deve logo ser consultado para que o tratamento se inicie o mais rápido possível. Caso contrário, a doença pode evoluir e trazer graves consequências ao organismo feminino.

Como ela afeta o corpo feminino? Quais são as consequências?

A endometriose é uma doença progressiva. Com o passar do tempo, se não houver o tratamento, processos de aderências dos órgãos e infiltração dos focos de endometriose nos órgãos vizinhos podem ocorrer. Assim, aparecem quadros de dores crônicas, mesmo fora do período menstrual, que não melhoram com medicações analgésicas.

Sem o tratamento adequado a doença pode ter consequências irreversíveis, como a tão temida infertilidade. A infertilidade ocorre em 30% a 40% das mulheres e é um resultado comum com a progressão da doença.

Contudo, mesmo que a infertilidade apareça isso não quer dizer que a mulher não possa engravidar. Graças a técnicas avançadas como a Fertilização in Vitro (FIV) mulheres acometidas pela doença podem sim realizar o desejo de vivenciar a maternidade.  

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Dr. Bruno Scheffer

Médico Pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. Master em Reprodução Humana Pela Faculdade de Medicina da Universidade de Valência (Espanha). Especialista em Medicina Reprodutiva pelo Instituto Valenciano de Infertilidade (Espanha). Editor chefe do Tratado de Reprodução Humana Assistida. Membro Editorial do Jornal Brasileiro de Reprodução Assistida. Membro do European Society of Human Reproduction and Embryology
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