infertilidade feminina
26 de abril de 2019

8 causas para a infertilidade feminina

A infertilidade feminina é uma das razões que impede muitas mulheres de realizarem o grande sonho de ser mãe. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 20% dos casais, ou seja 1 em cada 5 casais, têm ou terão problemas de infertilidade. 

Entre os problemas que provocam a infertilidade, vale destacar:

1) ENDOMETRIOSE

Segundo estimativas da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, a endometriose acomete de 10 a 15% das mulheres em todo o mundo. No Brasil, isso representa cerca de 6 milhões de portadoras de endometriose. A doença acontece quando o endométrio, um tecido que reveste internamente o útero, migra para fora do útero para outros órgãos entre eles: ovários, ligamentos pélvicos, intestinos, bexiga, apêndice e vagina.

A condição ainda não tem uma causa descoberta, mas pode provocar a infertilidade por vários motivos, dentre eles: altera a permeabilidade das trompas, atrapalhando a condução do óvulo ao útero, altera a arquitetura pélvica, provoca alterações hormonais que atrapalham a mulher a engravidar, dentre outras.

2) SÍNDROME DOS OVÁRIOS POLICÍSTICOS

A Síndrome do Ovário Policístico atinge cerca de 7% das mulheres na idade reprodutiva. Ela se caracteriza como distúrbio endócrino, ou seja, um distúrbio causado por alterações hormonais, pois a mulher produz mais testosterona do que o normal. Isso provoca alteração da ovulação, da estrutura do ovário e, consequentemente, do ciclo menstrual, trazendo a infertilidade.

3) DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS – DSTs

As doenças sexualmente transmissíveis, conhecidas como DSTs, também podem causar infertilidade feminina. Isso porque elas fazem com que o útero e/ou as trompas de falópio fiquem inflamadas, causando obstrução nas trompas, impedindo que o espermatozoide encontre com o óvulo e, assim, a gravidez é dificultada, causando a infertilidade feminina.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), de 10 a 40% das mulheres que não tratam doenças como gonorreia ou infecção por clamídia (bactéria que atinge a uretra e as áreas genitais) possuem uma inflamação na pélvis, que dificulta a gravidez.

A clamídia é a DST mais comum no mundo todo. Muitas vezes silenciosa, pode afetar homens e mulheres e, além de ser sexualmente transmissível, também é congênita (pode ser passada de mãe para filho durante a gestação).

Alguns sinais da clamídia:

  • Ardência ao urinar;
  • Dor abdominal;
  • Dor nos testículos;
  • Incômodo no reto (que pode ser acompanhado por secreção).

A clamídia é uma ameaça à fertilidade pois ataca o sistema reprodutor feminino. Como é silenciosa, se for tardiamente diagnosticada, pode gerar consequências graves.

4) MIOMAS 

Os miomas são a 3ª causa mais comum de infertilidade feminina no mundo. Alguns estudos estimam que 50% da população mundial feminina seja portadora de miomas, principalmente, as que estão na faixa etária de 30 a 50 anos. Contudo, apenas 3% dos casos de mioma estão relacionados a infertilidade. Vale ressaltar que os miomas são um tipo de tumor benigno que acomete o útero, aqueles que ficam alojados na parte interna do útero é que provoca a infertilidade.

As mulheres portadoras de miomas que provocam infertilidade podem passam por uma cirurgia para retirá-lo. Se mesmo após a retirada, houver problemas para engravidar, elas podem tentar iniciar a gestação por Fertilização in vitro (FIV). Se quiser saber mais sobre FIV, baixe o nosso e-book.

5) ANSIEDADE E ESTRESSE

O estresse e a ansiedade nem sempre são relacionados à infertilidade feminina. Contudo, são fatores comuns. Tais condições alteram o funcionamento do hipotálamo e da glândula hipófise que é responsável por secretar hormônios importantes para a ovulação, como a gonadotrofina e a prolactina. Quanto mais estressada e ansiosa a mulher fica, mais difícil será para que ela engravide.

6) PÓLIPOS UTERINOS

Os pólipos uterinos são lesões em relevo localizadas na superfície interna da cavidade uterina. Essas formações de projeções anormais normalmente possuem consistência amolecida e corpulenta, com a aparência similar de uma verruga.

Existem dois tipos de pólipo uterino que podem afetar a fertilidade feminina.

  1. Pólipos endometriais ou pólipos do corpo uterino: é o crescimento exagerado de células do tecido endometrial, a camada mais interna do útero. São normalmente benignos, mas precisam ser tratados, pois, além do incômodo que os sintomas como o sangramento vaginal causam, pode atrapalhar a gravidez; 
  2. Pólipos endocervicais: são identificados na região do cérvix (ou colo do útero) da paciente. Apesar de se apresentarem muitas vezes como assintomáticos, podem causar corrimento vaginal e fluxo menstrual intenso.

7) ENDOMETRIOMA

Não, você não está lendo informação repetida! Mais acima, falamos sobre endometriose e, agora, vamos explicar sobre endometrioma, que são coisas diferentes, apesar de relacionadas.

O endometrioma é um cisto preenchido por sangue escuro envelhecido e tecido endometrial, tipicamente marrom, que acomete principalmente os ovários. Seu desenvolvimento se dá devido a uma lesão decorrente de endometriose profunda nos ovários. Essa é a principal relação entre endometrioma e endometriose.

Além dos ovários, este cisto também pode surgir na parede abdominal após uma cesárea, influenciando nas chances de outra gravidez da mulher.

8) DOENÇA INFLAMATÓRIA PÉLVICA

Também chamada de DIP, trata-se de uma inflamação dos órgãos da pelve (útero, trompas e/ou ovários), com possível extensão para outras estruturas pélvicas e até abdominais, que costuma ser provocada por uma doença sexualmente transmissível, como clamídia ou gonorreia.

As bactérias Neisseria Gonorrhoeae e Chlamydia Trachomatis são as principais causadoras da DIP. Os sintomas causados geram enormes transtornos na vida da paciente:

  • Corrimento vaginal;
  • Sangramento vaginal após relação sexual; 
  • Menstruação irregular;
  • Dor para urinar;
  • Febre.

A DIP pode causar lesões nas trompas ou no útero, impedindo a gravidez. Normalmente, as mulheres descobrem a doença quando estão com dificuldade de ter um bebê. Por isso, é tão importante consultar o médico regularmente e realizar check-ups gerais.

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Dr. Bruno Scheffer

Dr. Bruno Scheffer

Médico Pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. Master em Reprodução Humana Pela Faculdade de Medicina da Universidade de Valência (Espanha). Especialista em Medicina Reprodutiva pelo Instituto Valenciano de Infertilidade (Espanha). Editor chefe do Tratado de Reprodução Humana Assistida. Membro Editorial do Jornal Brasileiro de Reprodução Assistida. Membro do European Society of Human Reproduction and Embryology
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