A Escuta Psicológica/ Psicanalítica no Serviço de Reprodução Assistida
O Bebê Sonhado por seus Pais
Acompanhamos, nas últimas décadas, a investigação médica e a criação de novas técnicas de fertilização assistida. Os avanços que a Medicina oferece nesse campo do conhecimento abrem possibilidades para o nascimento de bebês, e, ao mesmo tempo, colocam-nos diante de questões fundamentais para o ser humano: o que é uma mãe; o que é um pai; e o que é um filho?
Paralelamente, também acontecem avanços científicos, feitos por pesquisadores em neurociências, etólogos, pediatras, neonatologistas, psicanalistas etc, sobre o conhecimento dos bebês e os primórdios da vida psíquica. Hoje, sabemos, esse bebê do sonho, do desejo de seus pais, precisa ser recebido também em um berço construído de palavras para acolhê-lo, pois ele será um ser humano, portanto falante, sendo, mesmo antes de falar, falado por seus pais, e depositário de expectativas e esperanças preciosas.
As mais recentes publicações e os trabalhos apresentados em congressos nos trazem o testemunho de serviços de comprovada respeitabilidade no meio científico sobre assistências psicoterapêuticas existentes. Nesses estudos percebemos que, desde a década de 80, na Europa e Estados Unidos, o bebê é considerado em sua existência nas maternidades e serviços de gravidez de alto risco, e agora nos serviços de Reprodução Assistida. Isso testemunha a importância e a responsabilidade nossa e da sociedade em relação ao desenvolvimento emocional de nossos futuros cidadãos.
O processo de Reprodução Assistida, isto é, o caminhar ao encontro de bebês tão sonhados, abre espaço, inevitavelmente, para a emergência de emoções intensas: alegria, tristeza, amor, raiva, esperança, frustração, perplexidade, surpresa.
Por isso, a equipe do Instituto Brasileiro de Reprodução Assistida (IBRRA) reconhece e inclui, ao lado da Medicina Altamente Especializada, a Constituição Subjetiva do Ser Humano na intimidade de seu núcleo familiar. Sendo esse um momento privilegiado da construção do "sujeito por vir", a consideração da vida pré-concepcional e pré-natal permite espaço para o muito a dizer e a descobrir.
Reconhecendo que um bebê começa a existir antes de seu nascimento biológico, que sua vida começa no desejo de seus pais, oferecemos:
- Para o bebê, a possibilidade da construção simbólica de sua história por meio da cadeia de gerações, nomeada e assumida por seus pais;
- para os pais, o espaço para a reflexão sobre o que é um pai, uma mãe, um filho.
Um bebê e seus pais implicam em uma situação única, e construída a partir da história desses próprios pais e do lugar que eles dão aos filhos em suas vidas. O bebê nasce, pois, com uma história predeterminada, na qual não teve escolha. Essa história, podendo ser transmitida com mais clareza por seus pais, vai se constituir em um terreno firme para a possibilidade da construção, pelo filho, de seu próprio caminhar. Ao conhecer e aceitar sua história, o filho pode tomar a distância necessária para dar nascimento à vida de acordo com o seu desejo, como sujeito de sua história.
Trata-se de um tempo para três nascimentos:
- uma mãe para a função materna;
- um pai para a função paterna;
- e um filho, futuro sujeito, cujo destino já está sendo escrito pelas palavras de sua história.
Caso queira fazer alguma pergunta para a equipe de psicologia do IBRRA, escreva para nós, que teremos o maior prazer em respondê-la: psicologia@ibrra.com.br
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